Funcionário na Agropalma

[WHITEPAPER] Gestão de Ativos em Plantas de Processamento Contínuo

O framework GFMAM/IAM e ISO 55000 aplicado à indústria de óleos e gorduras vegetais – o caso Agropalma, Unidade Limeira

Sumário Executivo

Este whitepaper documenta a estruturação de um programa de Gestão de Ativos na unidade de Limeira (SP) da Agropalma — maior produtora de óleo de dendê da América Latina —, aplicando as 39 áreas-chave de performance definidas pelo GFMAM (Global Forum on Maintenance and Asset Management) e alinhadas aos padrões do IAM (Institute of Asset Management, Reino Unido) e à família de normas ISO 55000.

A unidade de Limeira concentra operações de refino e fracionamento de palma e palmiste, além de acondicionamento de gorduras (UAG), hidrogenação e interesterificação — processos contínuos em que uma hora de planta parada compromete diretamente entrega e custo. Os desafios centrais eram redução de quebras, aumento de disponibilidade operacional e de OEE, redução de custos de manutenção e desenvolvimento de conhecimento técnico interno.

A intervenção da PCM Consultoria, batizada internamente pelo cliente de “Programa Refinovação”, resultou em ganhos mensuráveis já na área piloto de refinaria:

  • Aumento de 10% na disponibilidade da planta de refinaria (área piloto).
  • Redução de 34% no tempo médio de reparo (MTTR).
  • Redução de 9% nos custos de manutenção.
  • Redução de 20% do quadro de manutenção pós-implementação e estabilização dos processos.

As seções seguintes contextualizam o problema, detalham o framework técnico aplicado — GFMAM, IAM e ISO 55000 — e apresentam a análise completa do caso, incluindo a lógica de intervenção e os resultados por indicador.

1. Contextualização do Problema

Plantas de processamento contínuo na indústria de óleos e gorduras vegetais operam sob uma combinação particular de pressões: regime 24/7, processos fisico-químicos sensíveis (hidrogenação, interesterificação, fracionamento) e clientes finais em setores regulados ou de alto padrão de qualidade — panificação, confeitaria, laticínios, fritura industrial, cosméticos e oleoquímicos. Qualquer parada não programada na etapa de refino ou fracionamento se propaga para toda a cadeia produtiva a jusante.

Nesse contexto, a ausência de um sistema estruturado de Gestão de Ativos costuma se manifestar em cinco sintomas recorrentes, todos presentes no diagnóstico inicial da unidade de Limeira:

  • Quebras recorrentes — sem causa raiz mapeada, tratadas de forma pontual e não sistêmica.
  • Disponibilidade operacional abaixo do potencial — da planta, sem meta técnica formalizada.
  • OEE não gerenciado como indicador central — de decisão entre produção e manutenção.
  • Custos de manutenção crescentes — sem visibilidade sobre onde o gasto gera retorno.
  • Conhecimento técnico concentrado — em poucos indivíduos, sem processo de desenvolvimento e retenção.

Esses sintomas não são falhas de execução isoladas — são consequência da ausência de um sistema de gestão que conecte estratégia, decisão, entrega operacional, informação, pessoas e risco em um único framework auditável. É exatamente esse o papel da Gestão de Ativos como disciplina formal, distinta da manutenção tradicional.

2. Gestão de Ativos: Fundamentação Técnica

2.1 Gestão de Ativos vs. Manutenção Tradicional

Manutenção tradicional — mesmo quando bem executada, com PCM estruturado (Ordem de Serviço, tagueamento, inventário, planos de lubrificação) — responde à pergunta “como mantemos o ativo funcionando?”. Gestão de Ativos responde a uma pergunta anterior e mais ampla: “que valor este ativo deve entregar à organização, ao menor custo total do ciclo de vida (LCC — Life Cycle Cost) e ao risco aceitável, e como coordenamos toda a organização para garantir isso?”

Essa distinção é o que separa uma planta com boa manutenção de uma planta com governança de ativos. A segunda sustenta decisão de investimento, priorização de recursos e continuidade de resultado independentemente de rotatividade de equipe — a primeira, sozinha, não.

2.2 ISO 55000 e a origem no PAS 55

A família de normas ISO 55000 (55000, 55001 e 55002), publicada originalmente em 2014, formalizou internacionalmente uma disciplina que já vinha sendo estruturada desde 2004 pela especificação britânica PAS 55, referência de mercado para gestão de ativos físicos em setores intensivos em capital — energia, óleo e gás, mineração, utilities.

  • ISO 55000 — estabelece a visão geral, os princípios e a terminologia da Gestão de Ativos.
  • ISO 55001 — define os requisitos para um sistema de gestão de ativos — é a norma certificável.
  • ISO 55002 — fornece diretrizes de aplicação e interpretação para os requisitos da 55001.

Um princípio central da série é que Gestão de Ativos não é sobre os ativos físicos em si, mas sobre a realização de valor a partir deles — alinhando decisões técnicas aos objetivos organizacionais declarados, com rastreabilidade e auditoria.

2.3 O papel do GFMAM e do IAM

O GFMAM (Global Forum on Maintenance and Asset Management), formado em 2011, reúne os principais organismos internacionais da profissão — entre eles o próprio IAM — com a missão de desenvolver e consolidar conhecimento, padrões e educação em gestão de ativos e manutenção. Seu principal entregável é o documento Asset Management Landscape, que organiza a disciplina em 39 áreas-chave (subjects), agrupadas em seis grupos temáticos.

O IAM (Institute of Asset Management), sediado no Reino Unido, é a entidade profissional de referência global para certificação individual e institucional em Gestão de Ativos, e um dos organismos fundadores do GFMAM. A PCM Consultoria atua como Membro Corporativo do IAM, com consultores certificados nos padrões que a entidade estabelece — o que garante que a implementação em campo siga a mesma estrutura de referência usada por auditores e certificadoras internacionais.

Aplicar as 39 áreas do GFMAM, alinhadas ao IAM, significa avaliar e estruturar a organização em cada uma dessas frentes simultaneamente — não apenas na execução da manutenção, mas na estratégia, na decisão de investimento, na informação disponível, na estrutura organizacional e na gestão de risco. É essa abrangência que permite que o resultado de um piloto (como a área de refinaria em Limeira) seja sustentado e replicável, em vez de um ganho pontual que se dissolve com o tempo.

3. O Framework das 39 Áreas-Chave (GFMAM Asset Management Landscape)

As 39 áreas-chave estão organizadas em seis grupos temáticos. A tabela a seguir resume o foco de cada grupo e exemplos ilustrativos de subtemas relevantes ao contexto industrial – a lista completa está descrita no documento GFMAM Asset Management Landscape.

GrupoFocoExemplos de subtemas
01 · Estratégia e PlanejamentoDireção e política corporativa para os ativos.Política de Gestão de Ativos; Estratégia e Objetivos de Gestão de Ativos; Planejamento de Gestão de Ativos; Análise de Demanda.
02 · Tomada de DecisãoCritérios técnico-financeiros para priorizar investimento e recurso.Decisão de Investimento de Capital; Decisão de Operação e Manutenção; Realização de Valor do Ciclo de Vida; Estratégia de Paradas.
03 · Entrega do Ciclo de VidaExecução técnica — do projeto à desativação do ativo.Engenharia de Confiabilidade; Manutenção; Operação de Ativos; Gestão de Paradas; Resposta a Falhas e Incidentes.
04 · Informação de AtivosDados confiáveis como base para toda decisão.Estratégia de Informação; Padrões de Dados; Sistemas de Informação de Ativos.
05 · Organização e PessoasEstrutura, cultura e competência técnica.Liderança em Gestão de Ativos; Estrutura Organizacional; Gestão de Competências; Cadeia de Suprimentos.
06 · Risco e RevisãoSustentação, auditoria e melhoria contínua do sistema.Avaliação e Gestão de Risco; Monitoramento de Desempenho; Auditoria e Garantia; Revisão da Gestão.

Na prática de intervenção, esse framework funciona como um checklist de maturidade: cada um dos seis grupos é avaliado no cenário atual do cliente, e o plano de ação prioriza as lacunas que mais limitam o resultado — em vez de aplicar um pacote genérico de melhoria de manutenção. É essa lógica de diagnóstico multidimensional, e não uma intervenção pontual em campo, que caracteriza Gestão de Ativos segundo o padrão GFMAM/IAM.

3.1 Maturidade como processo, não como evento

Organizações intensivas em ativos costumam ser avaliadas em escalas de maturidade reconhecidas internacionalmente, que vão de um estágio reativo — decisões tomadas ad hoc, sem dado — até um estágio otimizado, em que a organização usa os 39 subtemas de forma integrada para antecipar risco e maximizar valor ao longo do ciclo de vida dos ativos. A intervenção da PCM parte de um diagnóstico honesto desse estágio inicial: implantar Gestão de Ativos madura sobre uma base sem dado confiável ou processo mínimo estruturado tende a falhar, independentemente da metodologia escolhida.

4. Case Agropalma – Unidade Limeira

4.1 A empresa

A Agropalma é a maior produtora de óleo de dendê da América Latina, com 40 mil hectares plantados de palma e aproximadamente 5 mil funcionários distribuídos em quatro unidades de negócio: centro comercial em São Paulo, Tailândia/PA, Belém/PA e Limeira/SP. A companhia produz óleo de palma, palmiste e derivados refinados e fracionados, destinados a segmentos como panificação, confeitaria, lácteos e sorvetes, fritura industrial, cosméticos e oleoquímicos.

A unidade de Limeira, no interior de São Paulo, concentra as operações de refino e fracionamento de palma e palmiste, além de acondicionamento de gorduras (UAG), hidrogenação e interesterificação — etapas de processo com alta sensibilidade técnica e impacto direto na qualidade final dos derivados entregues aos clientes industriais.

4.2 Principais desafios identificados

  • Redução de quebras.
  • Aumento da disponibilidade operacional.
  • Aumento do OEE (Overall Equipment Effectiveness).
  • Redução de custos de manutenção.
  • Aumento e desenvolvimento do conhecimento técnico interno.

4.3 A intervenção da PCM

Com base no cenário diagnosticado, a estratégia da PCM Consultoria baseou-se na implantação de Gestão de Ativos seguindo as 39 áreas-chave de performance estabelecidas pelo GFMAM e alinhadas ao IAM — estrutura de alto nível que estabelece uma base consistente para todos os sistemas de gestão, permitindo melhor coordenação na integração, no acompanhamento, na auditoria e na certificação.

Internamente, o cliente nomeou a iniciativa de “Programa Refinovação”. O depoimento da coordenação de manutenção destaca um ponto tecnicamente relevante para qualquer implementação de Gestão de Ativos: o resultado não veio apenas de ajuste técnico de processo, mas da redistribuição de responsabilidades entre operadores e mantenedores — um reflexo direto do grupo “Organização e Pessoas” do framework GFMAM atuando em conjunto com “Entrega do Ciclo de Vida”.

“O programa Refinovação na unidade de Limeira chegou não apenas para otimizar nossos processos, mas também teve um impacto significativo no desempenho geral do time, culminando em importantes resultados para o negócio. Além disso, o engajamento e sinergia entre os times foram fundamentais, atribuindo novas responsabilidades aos operadores e mantenedores para conquistarmos resultados cada vez mais desafiadores.” Lucas Silveira Lopes Coordenação de Manutenção — Agropalma, Unidade Limeira

4.4 Resultados alcançados (área piloto — Planta de Refinaria)

IndicadorResultado
Disponibilidade da planta de refinaria+10%
Tempo médio de reparo (MTTR)-34%
Custos de manutenção-9%
Quadro de manutenção pós-estabilização-20%

A leitura conjunta dos quatro indicadores é o ponto tecnicamente relevante do case: disponibilidade sobe e MTTR cai simultaneamente à redução de custo e de quadro de manutenção. Esse padrão — ganho de resultado com menos recurso alocado, não com mais — só é sustentável quando decorre de eliminação de causa raiz e de redistribuição estrutural de responsabilidade, não de corte de atividade de manutenção. É a evidência de que o ganho veio de governança, e não de sacrifício de robustez operacional.

5. Conclusão e Recomendações

O caso Agropalma – Unidade Limeira ilustra um princípio central da Gestão de Ativos aplicada com rigor metodológico: ganhos de disponibilidade, MTTR e custo não são objetivos isolados a serem perseguidos separadamente por produção e manutenção – são resultado de um sistema de gestão coerente, avaliado nas seis dimensões do framework GFMAM e certificável segundo ISO 55001.

Para diretores industriais e gerentes de manutenção avaliando o próximo passo de maturidade da própria operação, três recomendações se aplicam diretamente à luz deste case:

  1. Diagnosticar antes de intervir. Um piloto bem escolhido – de criticidade relevante, mas com equipe engajada – gera prova de conceito replicável para o restante da planta.
  2. Tratar Organização e Pessoas como pilar técnico, não apenas administrativo. A redistribuição de responsabilidade entre operação e manutenção foi citada explicitamente pelo cliente como fator determinante do resultado.
  3. Medir os quatro indicadores em conjunto – disponibilidade, MTTR, custo e dimensionamento de equipe. Ganho isolado em um indicador, à custa dos demais, não caracteriza maturidade em Gestão de Ativos.

PERGUNTAS FREQUENTES

O que é Gestão de Ativos?

Gestão de Ativos é a disciplina que define que valor um ativo deve entregar à organização, ao menor custo total do ciclo de vida (LCC) e ao risco aceitável – e como toda a organização se coordena para garantir isso. Diferente da manutenção isolada, ela conecta estratégia, decisão de investimento, entrega operacional, informação, pessoas e risco em um único sistema de gestão auditável.

Qual a diferença entre PCM e Gestão de Ativos?

PCM (Planejamento e Controle de Manutenção) responde à pergunta “como mantemos o ativo funcionando?”, com base em Ordem de Serviço, tagueamento, inventário e planos de lubrificação. Gestão de Ativos responde a uma pergunta anterior e mais ampla: “que valor este ativo deve entregar, e como coordenamos toda a organização para isso?”. PCM estruturado é a base sobre a qual a Gestão de Ativos é construída — sem ele, não há dado confiável para sustentar decisões de nível estratégico.

O que são as 39 áreas do GFMAM?

São as 39 áreas-chave de performance (subjects) que compõem o GFMAM Asset Management Landscape, documento de referência do GFMAM (Global Forum on Maintenance and Asset Management). Elas estão organizadas em seis grupos temáticos – Estratégia e Planejamento, Tomada de Decisão, Entrega do Ciclo de Vida, Informação de Ativos, Organização e Pessoas, e Risco e Revisão – e funcionam como um checklist de maturidade para diagnosticar e estruturar a Gestão de Ativos de uma organização.

O que é a norma ISO 55000?

ISO 55000 é a família de normas internacionais (55000, 55001 e 55002) que formaliza a disciplina de Gestão de Ativos, publicada originalmente em 2014 com origem na especificação britânica PAS 55. A ISO 55000 estabelece a visão geral e os princípios; a ISO 55001 define os requisitos certificáveis de um sistema de gestão de ativos; e a ISO 55002 traz diretrizes de aplicação.

Sobre a PCM Consultoria

A PCM Consultoria atua há 35 anos implementando as metodologias de Gestão de Ativos e Engenharia de Manutenção – TPM, WCM, ISO 55000, RCM e o framework GFMAM/IAM – com o rigor técnico e a customização exigidos por plantas industriais de processo contínuo.

Membro Corporativo do IAM (Institute of Asset Management), com consultores certificados em padrões globais e certificação ISO 9001:2015. Atua em grandes plantas industriais que operam 24/7, onde uma hora de máquina parada custa milhões – entregando governança, redução de risco operacional e aumento real de lucro através da eficiência dos ativos.

Quer um diagnóstico de maturidade de Gestão de Ativos para sua planta, nas seis dimensões do framework GFMAM? Fale com um consultor da PCM Consultoria.

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